O meu sítio secreto..

Eu tenho um sítio secreto…
Eu tenho um sítio secreto onde nem tanto chove, nem faz frio ou calor. Ao meu sítio secreto te convido a entrar, por ele pernoitar e sentir, reflectir, seres criança, adulto, velho, quer homem ou mulher.. Como desejo abrir portas do meu sítio secreto, partilhar pão, amor e coração.. No meu sítio nem pele de cor, nem distinção de terra ou continente.. A ti partilho água, vinho, refeição, doce ou fruta e muita conversação.. Neste local podes dizer o que sentes, o que temes, com ou sem razão te ouvimos todos.. O meu mundo é este, o teu, o meu é o de mais alguém.. Nele entram gentes de todos os credos e religiões ou fados… Eu tenho um sítio secreto onde há paz, amor e união… Que mundo santo onde gentes, animais, plantas e minerais estamos e nem reclamamos ter ou não razão..

Saber..

Um novo saber..
Como o poderia eu saber..
A vida nos dá e nos tira..
Vi sofrer e também sofri.
Passei algum fome e frio,
o calor por ali passou,
dormi em chão macio e duro,
e em vão solucei..
Saboreei o doce e o amargo,
vi o feio e o bonito..
Já nem sei do que mais gostei e degustei..
Sei que esse o prazer de o sentir e ver
e algo amadurecer..
O novo saber,
tem de ter tempo,
passado e futuro também,
mas sempre, sempre o bem,
para conquistar esse Saber…

Postal de Natal..

A Alegria..
Alegria a sinto e pressinto.
Quanta alegria se perde,
quanta alegria se esquece
e talvez se cede..
Quanta alegria a pinto,
quem sabe a minto..
A Alegria nem sempre cursa
com sorrisos e risos..
Muitas vezes, choro de alegria,
temo e, a tanto pressinto..
Como gostava levar alegria às casas,
às barracas, aos hospitais
e talvez mais..
Reconheço uma criança, um velho
com e sem dessa alegria dos nossos pais..
Nas festas do Natal,
uns choram, outros riem..
Nada têm para festejar..
Eu, com a idade, com as minhas perdas e ganhos,
teimo e vos partilho
a alegria de amar
e me dar..
Um sorriso, um calor,
um afago,um alívio da dor.
Um conter e dizer sem mal,
com muita Alegria
Um Bom e Feliz Natal

Que saudades tenho..

Que saudades tenho..
Quanta saudade,
quanto anseio e quiçá raridade.
Que saudades tenho de um simples passear..
Passear, pelos campos,
pelas searas e escutar..
Ao me sentir por ali a vaguear,
talvez algo iludido,
mais do que perdido.
A brisa que sopra,
vem de Norte, vem de Sul,
algo me diz certamente
que vem por obra..
Um campo florido,
searas ao vento,
me dá muito..
Eu sei que desse trigo e joio,
nos advém glória e apoio..
Como gosto de cheirar o pão,
pão de trigo, pão de milho, onde se sente
amor e constrição..
Um pão tem,
mais do que tem,
tem contentamento,
mas me resta nesse momento,
a saudade que tenho…
Quantas saudades tenho…

Onde estás coração..

Onde estás coração..
Onde estás coração,
quando te vejo sofrer,
e em vão
até morrer..
Onde estás meu amigo,
meu companheiro,
mesmo no perigo,
sei que nunca me abandonarás..
Onde estás, quando choro e sorrio,
te reconheço o teu pulsar,
ao muito amar..
Onde estás, onde estás,
qual sensação mais te dar
e assim mais durarás…
Grato, meu lindo coração..
te confio uma oração..

A poesia..

A poesia me toca..
Um verso solto,
uma estrofe quase ode..
O Pina se inspirava numa frase ou numa palavra.
A poesia cursa com melodia,
com sentimento,
com ira, amor
e por vezes dor..
Escrever poesia,
nem sempre será o dia,
mas quando nos assustamos
e a vemos..
Eu, que nem sou poeta,
me sinto meio tocado,
quase embriagado..
A poesia tanto me toca,
que gosto de a ler,
de a ouvir e de a nem reter..
Poemas, tantos há, pensamentos,
e muito mais do que mero momentos..

Liberdade..

Liberdade..
Um dia a conheci..
Nem sei como foi, mas a senti..
A liberdade, nos ilude,
nos tece e vive..
Quando nascemos,
pensamos que livre seremos..
Quanta ilusão e fantasia..
A liberdade passa, nem se toca,
não a vês, mas um dia aprendemos
a tanto a sentir, a fazer, a conquistar
e talvez preservar,
para os nosso filhos a clamar..
Um dia a respirei
e pensei..
Será que a mereço
ou devo, temo..
Liberdade, nem vaidade,
mas fraternidade realidade…
Um dia a tão bem conheci,
e ainda a senti…

o destino..

Eu sei, o conheço e quero..
Eu gosto de o ver, e dele gosto..
De o ver sorrir, reclamo
se o vejo gritar, temo…
Quem dele nem gosta,
nem sabe se dele gosta..
Uns dele dizem mal, outros bem, mas o que me vai interessar
nem sei se ela o vai querer e me dar..
Alguns de vocês poderão dele saber,
mas eu sei que dele poucos o sabem ver..
Falo de um sentido,
de um mentido, de um ressentido..
No mundo dito de influência islâmica,
sei que dele o sentem
o prezam e dele falam e tanto mentem..
Quiçá alegoria, fanatismo, eufemismo
Destino, é de quem o mereço,
eu sei, de quem falo e dele o conheço…

este é o tempo de caminhar..

Este é o tempo de caminhar..
Este é um tempo de sentir e ir
Um andar,
e um assentar..
Botas calçadas, mochila aparelhada
me apetece partir e ir..
Temo um dia assim vos pedir e partir..
Este é um tempo em que sinto saudade,
pressinto a maldade,
me entrego e choro
Me dói tanto,
Sou acusado, sou odiado,
e ninguém consegue,
olhar em frente e, segue
Este é um tempo que tudo e nada
me apetece e tece
Alguém sei e bem,
nem assume o mal ou o bem..
Todos o fazemos e sabemos,
mas nunca tememos,
que mais alguém e do além,
sabe muito bem
Quem ama e nada trama
Este é o tempo de caminhar
e algo mais vos dar.

o medo..

O medo..
Senhor tenho medo..
Medo o sentem os humanos,
o pressentem os animais,
e há quem diga que o medo
é mais do que um sentimento..
O medo o tenho entranhado,
algo emaranhado,
me ressoa e soa.
Em noites e dias tais,
quem o sente nem mais..
As aves quando o sentem voam,
as crianças choram,
e os adultos enfrentam..
O temo, o pressinto e digo
Senhor porque tanto medo..
Amanhã, será que haverá
mais desse medo..
A quem e mais além
a todos digo alguém saberá
como enfrentar e dará..
Dar alento, temperamento
e juramento..
Porquê tanto medo..
Medo, arma dos cobardes,
dos tristes, e até dos amaldiçoados.
Sim, porque os abençoados
nos tiram este medo..