Caminho Português de Santiago

Caminho Português de Santiago

Os itinerários de acesso a Santiago são muitos, transparecendo que as vias de comunicação medievais assentavam na necessidade de pequenas deslocações.

O desenho de um verdadeiro itinerário foi surgindo com destaque ou apoio de locais de paragem e descanso, casas de pasto, albergarias e hospitais. Em todos os trajectos são reconhecidos conventos que davam a tão desejada ajuda espiritual, física e psicológica.

Carlos Magno estimulou muito a peregrinação ao sepulcro do Apóstolo Tiago e deu origem ao caminho francês que obriga a muitos dias de marcha desde a longínqua França até ao Templo no norte da Galiza.

Em Portugal o culto de Santiago encontra-se difundido por todo território e há invocações ao Apóstolo em muitos locais, assumindo fundamentalmente duas imagens ou ícones de representação, ora como peregrino ora como guerreiro.

Santiago peregrino é afigurado como um pobre, sobriamente vestido, identificado com um chapéu de aba larga, com um cajado ou bastão, e com sinaléticas inconfundíveis de peregrino de Santiago, a vieira e a cabaça.

Santiago guerreiro é representado como um cavaleiro, aparentando um porte majestoso e senhorial, mostrando também a sinalética vieira e denominado “Mata-mouros”.

Em Portugal, a peregrinação a Santiago nunca deu origem a um caminho unificado semelhante ao caminho francês, porém a via Lisboa-Valença com passagem por Santarém, Tomar, Coimbra, Porto, Barcelos ou Braga e Ponte Lima parece reunir um consenso de uma via possível e ancestral.

O Caminho Português pode ser reconhecido como uma rota de peregrinação a Santiago, tendo sido usada por italianos, portugueses e árabes, identificando-se personagens ilustres que optaram por esta via como conde D. Henrique (1097), Rei Sancho II (1244), conde D. Pedro (1336), rei D. Manuel I (1502), Rainha Santa Isabel (1325), Giovanni Batista Confalonieri (1594) que acompanhou desde Lisboa o representante papal, Léon de Rosmithal (1466), Nicolau Popplau (1484), Nicola Albani (1745).

Em 1138 encontramos uma das mais antigas referências ao Caminho Português na obra do geógrafo árabe Idrisi que descreve os caminhos de Coimbra para Compostela, por mar e por terra.

Como peregrino, posso testemunhar que somos confrontados com múltiplos sinais da peregrinação a Santiago inerentes ao culto, onde a “vieira ou concha de peregrino”, símbolo mariano, assinala a direcção do caminho e identifica o próprio peregrino. Em todos os trajectos a figura de Maria, mãe de Jesus, e Mãe de todos nós, aparece nos cruzeiros, nas ermidas, nos conventos e nos santuários das cidades.

No Caminho Português encontra-se uma das igrejas mais emblemáticas que testemunham o culto mariano, em Pontevedra, onde se identifica uma dos pouco templos católicos circulares, em forma de concha e, não em forma de cruz latina como habitual, corresponde à Igreja da Virgem Peregrina.