Historial de Peregrinações

Desde um passado recente me iniciei nas Peregrinações:

20031ª Peregrinação  a Santiago –  Tuy a Santiago (Caminho Português de Santiago);

2004 Peregrinação a Santiago – Valença a Santiago ( Caminho Português de Santiago);

2005Peregrinação a Santiago – Valença a Santiago (Caminho Português de Santiago);

2006 Peregrinação a Fátima – Póvoa de Penafirme a Fátima;

2007 Peregrinação a Fátima – Póvoa de Penafirme a Fátima;

2008Peregrinação a Fátima – Póvoa de Penafirme a Fátima;

2009 Peregrinação a Fátima – Póvoa de Penafirme a Fátima;

2010 Peregrinação a Santiago – Porto a Santiago (Caminho Primitivo Português);

2011Peregrinação a Santiago – Viana do Castelo a Santiago (Caminho da Costa Português);

2012Peregrinação a Fátima – Merceana a Fátima (Caminhos do Tejo);

2013Peregrinação a Fátima – Lisboa a Fátima (Caminhos do Tejo);

2014Peregrinação a Fátima – Lisboa a Fátima (Caminhos do Tejo);

2015Peregrinação a Santiago – Viana do Castelo a Santiago ( variante Caminho Costa)

 

 

Os efeitos do Silêncio

Os efeitos do Silêncio..
A quem os sentiu.. A quem o procurou, sei que o silêncio tem muitos efeitos e disso já os senti.
O silêncio, e não completa ausência, é um diálogo connosco próprios, é um efeito redundante, embriagador e por vezes ora reparador, ora digno de respeito e maleita..
O silêncio obriga a uma certa solidão, apraz melancolia, nos interioriza, nos atrai como vela no escuro a borboleta.. A quem se aventura em tal, silêncio recordo que ao contrário da depressão, o silêncio é obra.. Desde a Idade Média, e num tempo de frades e monges, em retiros isolados, sofriam não de depressão, mas um outro estado.. A “acédia” difere da depressão, pois já nos tratados de anatomia da mente se referia que o silêncio pode ocorrer sintomas semelhantes, mas de curso diferente…
Um peregrino em caminho e “só”, em ermo e monte, aprende a ultrapassar o silêncio e o estado de acédia, com regras de vida, metas, agendas, planos e reflexões.. A depressão quer reactiva ou não no caminho de um peregrino me permito esclarecer que é brandura, alimentar-se, estimular o ego, a autoestima e enfrentar o dia à dia, o curto prazo.. Isso de falar com as pedras é uma alegoria e figura de estilo a esclarecer.. Quem se aventura num caminho de peregrinação tem de compreender o seu estado de espírito e mente, além do físico.. Um individuo ao procurar o caminho deve saber que nem sempre o silêncio o pode curar ou sarar mágoas e transtornos.. O silêncio em certos momentos se torna perigoso, pode obrigar a riscos desnecessários e a té ao suicídio físico e mental.. Não te queiras tornar num doente mental ou físico.. Aprende a viver, aprende a suster a tua força e a dirigir os teus anseios e desejos no Caminho da tua Existência e Ser.. A reflexão que mantenho e estudo me obriga a partilhar o que enfrento neste meu Caminho sem segredo, sem grande magia, sem ser sobrenatural, pois sou igual a qualquer companheiro e nisso me assumo como tal.. A “Força do Silêncio no meu Caminho” será o nome do livro que vou construindo e lendo.. Vai demorar e sempre irei mostrar o que descubro nas pedras e seixos do meu Caminho…

Alma errante..

 

 

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Alma errante

Alma errante, confiante e amante..
Onde resides tu,
Que me dizes tu..
Alma do meu corpo errante,
te procurei e nem descansei,
te queria tanto como teu amante..
Alma minha que nem é minha,
alma gémea gostei,
alma gémea,
alma fraterna..
e tão terna,,,
Como te conheço os receios,
os medos e os teus meios..
Alma que estás comigo no meu caminho,
diz-me se confias em mim
para encontrar este caminho..

Silêncio..

Silêncio..
Há quem fale e escreva sobre o silêncio e tanto ruído faça..
Há quem diga escutar e ouvir mais do que o silêncio e nos fale tanto.. Como Médico sempre me encantou o silêncio, como ser humano procurei por diversas vezes esse a que apelo silêncio.. Não confundam silêncio com solidão.. A solidão embeiça e oculta, o silêncio alimenta e em geral cultiva, medita e alaga o gostar de estar..
Caminhar em silêncio será tão diferente de caminhar em solidão..
A solidão em geral ofusca e nos mente, isola e nem nada alimenta.
Muitos jovens se .isolam e nem o silêncio querem, querem apenas e só a solidão.. A solidão dá sofrimento e os idosos, os doentes, os indigentes, os que ninguém os quer.. Há quem os condene ao isolamento.. e bem podem gritar, ou se manter em silêncio..
Na escuridão da noite, no esplendor do dia, o silêncio ajuda e até nos ajuda a suportar o calor e o frio.. Mas, a solidão nos enferma, e mesmo em Caminho por entre pedras, ervas e bosques.. vos confio um segredo.. Um dia fui de caminho Só.. fui em solidão julgando ir apanhar, cultivar e acabei a falar Graças a Deus com quem.. Esse me ajudou e me elucidou, em solidão te alimenta a tristeza, nada te resolve e sem graça o silêncio é tão diferente de solidão..
Num estudo que enceto vai para alguns anos estudo a força deste silêncio, o uso na minha prática clínica e sempre me discussão ou confronto, convido todos e eu próprio a um pouco de silêncio antes de conversar… No teu Caminho de Peregrinação acalento um hábito, nunca me mantenho muito tempo em solidão, porém em silêncio me mantenho e sei que até as flores, as aves e as gentes me respeitam e me deixam em silêncio, mas visualizado e vigilante..

Onde me leva este caminho..

Onde me leva este caminho..
Ao passear por um campo, entre serra e monte, entre aldeia e vila, entre mar e rio.. contemplei um caminho.. Caminho de terra, caminho com ervas e sem ser muito batido, constatei nem ser muito conhecido.. Me atraiu, nem sei porquê, mas por ele fui.. No meio desse caminho encontrei um pastor com suas ovelhas e um cão.. Tranquilo no seu vagar, deixava ovinos e caprinos, comer o pasto e seu cão de médio porte sempre alerta.. Saudei como viajante, saudei como vulgo citadino em passeio e trilho.. Perguntei e lhe ofereci um sorriso.. “Para onde vai este Caminho…” Após nos apresentarmos, o Ti Joaquim do monte me disse, vai até onde acaba e vem.. Ele e eu sorriamos e pensei.. estás brincar comigo…
Segui e após despedida me disse vais saber para onde vai este e outros caminhos também… O caminho se foi desvendando entre pedras e ervas, entre regueiro e hostes de antigos por ele passaram e andarem.. O tal trilho algo incerto se foi revelando mais íngreme, com subida e pedras, restolho e picos.. Um pouco mais à frente encontrei um outro passeante, vulgo da terra e sujo de trabalho de campo.. Cumprimentei e saudei de novo com um sorriso.. Sem grande sorriso aceitou a minha graça e disse chamar-se Saturnino.. Que nome estranho, pensei, mas nada disse e com ele partilhei desejo e gosto de saber para onde ia aquele caminho..
Me disse simples e sem grande emoção.. para cima, para o alto..
Cada vez me sentia mais curioso por saber, por desvendar tal mistério e trilho.. Subi e suei, cansei e água esgotei.. O caminho seguia e eu cansado estava, sem saber se voltar ou continuar..
Decidi no meu desejo de mais saber onde ia aquele misterioso caminho.. Subi, subi e bem no alto vi… Uma cruz, feita de pedra, uma vista soberba de mar e terra, de ver o rio lá baixo, crianças e velhos lá na aldeia, banhistas na praia e até barcos ao longe, uma ilhas e vento, sons e aromas de uma zona onde a alma e o corpo se juntam e sentem a presença do inimaginável, do sagrado e do profano.. Cansado, suado e sedento.. ajoelhei e senti a graça daquele caminho de comunicação, daquele trilho desconhecido e o gosto de o desvendar e segredar.. A senda, a rotina de caminho me mostrou que eu, vulgo caminhante, amante e romântico, crente e peregrino tinha descoberto algo.. um ponto alto de ir e ali voltar, para algo de imaterial, imortal, talvez transcendental,, Entre terra e céu me reuni corpo, mente e alma e a mais Além agradeci… Foi um dia que descobri aquele bom Caminho…

a brisa do bosque

A brisa do bosque..
Num bosque próximo de minha casa costumo ir e repousar o corpo e a alma.. De companhia apenas levo um dos meus cães e a ele lhe peço tranquilidade e sem trela que ele respeite planta, animal e pedra.. Num recanto nos sentamos e esperamos.. Pelo final de tarde, de um dia quente, vem sempre uma ligeira brisa..
A brisa que vos falo, são como que pedaços de esperança, de ternura dos anjos, das deusas marinhas, dos segredos dos montes, dos mares e dos ares.. A brisa do bosque me atrai a mim, sossega a minha alma e acalma meu dócil cão.. Vêem aves, vêm coelhos, vêm outros seres e mistérios pairam por ali e no ar se sente este sagrado, pagão e profano momento do fim de um dia e o início da noite.. As cores do céu como se tingem de rosa, vermelho e quem sabe prenúncio de bom ou mau tempo.. A brisa é em geral suave, grandiosa em esplendor e como sem dor nos diz, respira, inspira e expira.. Qual momento grato que aprendi com mestre já partido, sossega a minha mente, acalma a ira, reclama espaço no interior e no exterior do meu ser.. Magia, mágico, nem mago, contemplo e em surdina agarro o meu Tao, sinal de cruz, sinal que acredito e sou cristão de fé e furor.. Em sorriso e sem pranto, acalento um diálogo com as almas que por ali passam e as sinto, me dizem recuerdo tus familiares, tus amigos defuntos.. Num ponto por eles rezo e digo “en paz descansen..” Ao Senhor, à Virgem, a Jesus, aos Santos e enfim a Deus Nosso Senhor” lhe peço por todos e por mim.. Quando em tempo após me levanto,sinto-me mais puro, mais destro e com ardor.. grito bem alto.. “Perdão Nosso Senhor”….

Boa Viagem…

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Boa Viagem
A minha viagem é…
A minha viagem é esta
e ainda nem foi..
A minha viagem quero e começa
sempre num momento..
Desde que uma vez fui,
torno e mais quero..
Viagem é,
foi e será ao longo desta vida..
Estou sempre assim
e nem desfaço a mala..
Com entusiasmo,
dou graças e assim é,
mesmo triste
ou contente
me predisponho sempre
para a tal viagem…
A todos e a mim aconselho
desfruta a tua viagem…
Boa Viagem..

Metas de um Caminho…

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As metas de um Caminho..

Homem sou semelhante a tantos outros e sou.. A meta de uma peregrinação poderá ser a razão, poderá ser o motivo, nem sei o que será, porém será a meta de uma peregrinação.. Santiago, Fátima ou outro ponto será..

Cada peregrino estabelece as suas metas, os seus desafios, selecciona trilhos, escolhe a sua senda de caminho. Santiago talvez deste ponto de partida, de Portugal, de França ou Espanha.. Fátima, quem sabe talvez, por devoção, por emoção, .. eu nem sei porquê, mas sei porque não…

A meta conheço. de um ponto escolho também a partida e de algo me despeço e nunca esqueço.. A experiência, o remate, o foco de uma meta conheço, um verdadeiro desafio e tentação.. Será que consigo, será que farei bem.. Os dias vão passando e tanto vou ultrapassando, ora me dando, ora recebendo.. O caminho me instruí, e nem destruiu.. O meu olhar o mundo se vai modificando, os problemas vão como que minguando, a meta.. essa vai aparecendo e assomando.. O próximo, o companheiro vou encontrando e dialogando, e nem sei como as metas se vão desvanecendo, porque nem metas são, são marcos e história.

Vejo alguns companheiros rezando, de terço na mão, acreditando piamente estar a falar com alguém.. O meu culto e reza, preza ser menos ser tão ofegante, talvez menos crente ou religioso.. Sei e sempre soube que algo me acompanha, e com esse eu falo… Nem sei se será Deus, Alá ou outra divindade material ou apenas existente no meu imaginável.. Sei que no caminho a sinto e com Ele tanto reclamo, tanto refilo e recebo um silêncio, aprovador ou reprovador, nada me critica, nem pune.. Aceita o meu suar, o meu digo sofrer de querer lá chegar..

Sei que neste caminho vou pensando, vou analisando o meu percurso de ser humano.. Nasci, cresci e amadureci, talvez envelheci, temo a dor, sofro muito com a dor, reconheço a prática de tentar aliviar e dar…  Interrogo-me.. o que quero afinal, como que quero, as dimensões da minha vida simples de um herói sem batalha ou torpe, mas sei o que sou.. peregrino em Caminho vou..

Tanto quero e nem mais quero, estudos, trabalho, família, amigos, inimigos, comunidade, terra te quero, me questiono uma e outra vez.. porquê….

Metas tantas encontro, aquela subida íngreme, a sombra e a fonte desejada.. Encontro-me com meus semelhantes e vejo alguns em autênticos prantos..  Aprofundo no meu intimo, relembro ensinamentos de antepassados, reconheço que sou ainda quase criança no saber de conhecer e ser..

Cada dia que passa sinto que metas ultrapassei, algumas sem saber, outras reconheço.. As metas de uma peregrinação são destacadas e inimagináveis.. É o terror de querer lá chegar e dizer.. Amar..

 

Dificuldades e medos de Peregrino..

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Quantos medos, quantas dificuldades senti..

Fui uma e outra vez de peregrino, e fui.. Quantos receios, quantos medos no fundo eu senti.. O caminho nem sempre quão fácil parece, se desvanece em mais de mil dores, de bolhas, de coisas na nossa cabeça, no nosso corpo e afim.. Músculos, pele e ilhargas, costas, ombros e tantas partes do nosso corpo escondido e nem previsto, nos assola e diz.. afinal porque estás aqui???

Por vezes sentimos a tentação de desistir e ir, terminar sem concluir, mas que medo, mas que tonto receio.. desistir sem conseguir chegar.. Afinal, mais uma subida, uma descida, uma árvore, uma casa, uma palavra de alguém e a sorte da partilha e da gratidão de pensar e dizer.. Porque não….??

As minhas agruras, as minhas mágoas, os meus desejos e ensejo, tanto depositamos num projecto de ir e voltar e nos entregar ao mero caminhar… Será que a vida é assim tão fácil, desistir, será que poderemos lutar, vencer, ser heróis sem ser mártir..

Os dias que ultrapassamos nem são tão fáceis, como desbravamos, como pesquisamos e vamos.. Eu vulgo mortal, sem capacidades especiais de atleta, de cavaleiro, de guerreiro, nem soldado, apenas e só.. humano.. As intempéries de um momento se revelam fortes e fracas, capazes de nos destruir um projecto nem tão sublime, mas farto de sonho, de imaginação, ou de ilusão..  por vezes ouvimos falar e lemos de peregrinos caídos, de gente que perdeu a vida, que adoeceu e nem venceu, e nós com medo, com tantos receios, poderemos…??? Há dias assim, fáceis e difíceis, mas na nossa cabeça está uma ilusão ou desilusão, a minha vida é…

O peregrino é assustador, inquieto, saudoso, por vezes crente, outras vezes temente, clemente.. Ser um peregrino é uma tentação de caminhar, parar para descansar, confraternizar, mas temos de continuar.. A estrada, o trilho, como que alguém nos espera.. A nossa sombra, a nossa esperança, a futura crença…

Quantas vezes pedi e roguei a quem, “Não me deixes desistir…”  Cada um de nós reage de maneira diferente, e o caminho, passa pela gente.. Reagi um dia assim, noutro dia também quiz, uma vez consegui e outra nem sei se vou…

Familiares me olham, uns com orgulho, outros com temor, receio, e eu que me posso.. enfim perder..

Eu, aceito, com humor, com tranquilidade, a vida, o caminho e a sentença.. caminho e gosto do andar, gosto de partilhar, de amar e ensinar, escrever e vos dizer.. Eu também tenho medo Senhor…

A coragem que sinto, a estima que aprecio nos companheiros, vos digo.. Obrigado Amigos, sei que vamos conseguir e mais uma vez ir…

Não sei se o sou,porém sei quem sou. Por palavras simples me apresento e vos dou. Sou quem sou..

Quero e vou, por isso sou peregrino…

A estrada do meu caminho…

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A estrada nem direita era..
A estrada daquele caminho era por vezes estreita e larga também era.. A estrada do meu caminho se revelava, com curvas e rectas, subidas e descidas.. Por vezes de piso de pedras soltas, outras vezes de barro ou simples terra, mas sim, era a minha estrada.. Por ela caminhei, e nela passei.. Como recordo os momentos de esforço e alivio, por ver e conseguir.. O que vi naquela estrada, tanto foi, tantas coisas se passaram, o tempo foi passando, eu talvez crescendo, amadurecendo e nem sei se envelhecendo.. Naquela estrada chorei e ri, padeci sim, mas quanto ganhei.. Ganhei amigos do peito e do coração, amparei quem sofria e fui também acariciado, auxiliado e entre lágrimas e suspiros, soube o sabor do pão e de um vinho em conversa amena, com gente mais nova e mais velha também.. Junto àquela estrada fui aclamado, fui estimulado e por vezes insultado, por ir em caminho de algo que nem sei.. Fui a Santiago, fui a Fátima e mais quero ir.. Não sei se um dia conseguirei ir a tantos outros cantos, mas sei que aprendi e vivi naquela estrada o bom e o mau.. Alegria sinto, esperança creditada, falei com mais alguém e senti como que um amparo do alto, nem sei de pai ou mãe, mas nunca esqueço o meu Caminho que passei por aquela estrada… A estrada efectivamente se revelou tão árdua e longa, mas sempre um caminho consegui e nele mais quero ir e ver..