O meu escrever não é de poeta nem prosador, apenas sou um homem que mal sabe conjugar a semântica das palavras e muito agradeço aos professores do meu velho e saudoso Liceu Nacional Gil Vicente em Lisboa… Sempre fui aluno mais dextro a matemáticas e ciências, mas houve um professor que me cativou a atenção para a poesia, para a prosa de Camões, de Gil Vicente, dos oponentes ao regime fachista, ao poema popular de António Aleixo, Miguel Torga, António Gedeão e outros.. na prosa desde os Lusíadas, aos Autos, e aos textos sublimes de Virgilio Ferreira.. Dos portugas passei aos estrangeiros e aprendi a ler Hemingway, e tantos.. Li Eça, Camilo e Aquilino, Dostoiévski, Tolstoi e muitos mais..
Ao fim de alguns anos aprendi a gostar de ouvir poesia, dramatização e até prosa lida, então reconheci e ensino homem, mulher e criança que ler é hábito ou vicio que tem de ser entendido como gost e amor, pois acima de tudo o coração…. dá voz e alma aos livros que perduram na nossa eternidade..
Foram os livros que me fizeram homem, foram os livros que me instruiram, são os livros onde encontro pausa e descanso, é na leitura que encontro sossego e paz para enfrentar as adversidades da vida… Leio por gosto e amor, nem sempre me agrada o que leio, pois há gente que transmite ódios e desamores também no que escreve… Poesias de escárnio e maldizer tornam-se muito interessantes, pois desabrocham almas e espiritos inqueitos e refeitos de vida.. As cantigas de maldizer são antigas, mas exasperam alma de quem as lê, farpas, esteiros e riachos, com emigrantes em caminho, juntam-se guerras, viagens e sonhos…
Um dia, foi um livro que me instruiu a peregrinar “Diário de um Mago” de Paulo Coelho, mas a a velha “Peregrinação” de Fernão Mendes P(M)into e outros tantos caminhos, iniciei a ler e a aprender a reconhecer peregrinos… Hoje sei o que une homens e mulheres em peregrinação, é apenas o trilho que dizemos santo ou mágico, porém reconheço é a esperança, é o amor, é efectivamente o coração da jorna da nossa e das outras vidas..
Caminhei e vi mato, vi monte, vi tanto e tão pouco, reconheci gente a sofrer e em procura de sossego das suas almas e corpos, em Santiago me tornei iniciado e em Fátima amadureci o que é ser homem em caminho… Identifiquei fundamentalistas, rezam e sacrificam o corpo e muito perdem em peregrinação, mas também vi gente bem simples a aprender a andar, cocheando, mancos e magoados iam e continuavam, com lágrimas vi o qunto sofriam.. Revoltei-me, até gritei e disse assim não… Deus ou outro não deseja o mártir o sacrificio em vão… Porém, depressa vi que essa mesma gente necessitava apenas afectos, estavam a sofrer tanto que até se magoavam para aliviar a dôr que sentiam.. Hoje dou atenção a quem peregrina, dou mimo e louvo as suas capacidades, acredito e estimulo a autoestima de cada um…
Como peregrino tento exercitar e preparar, corpo, alma e espirito, um exercicio de pesquisa, de leitura, de meditação e até de oração.. Numa peregrinação em geral são muitas horas de caminhar, antes durante e depois, viagem aos confins do nosso amago, ver o que somos, o que fomos e o que queremos ser… Viagem nem sempre fácil, mas estimulante num piso árduo e áspero da nossa própria vida..
Hoje caminho, amanhã peregrino, e assim me torno um sonhador romântico de coração aberto, ouvindo quem sofre e quem festeja.. Caminhei acompanhado e só, mas sempre levei por perto algo mais do que meramente a minha sombra.. Garanto que nem sempre é fácil peregrinar, mas aprendo sempre e reconheço até quem sarcásticamente me assola o juizo, a esses não dou guerra, pois sei “quem desdenha quer comprar..” e são esses eventuais “provocadores” que em certos momentos se revelam uns bons amigos..
Estamos no mês do maior surto de libertação de peregrinos, Maio, mês de Maria, talvez saudades de andar a pé, até a comunicação social providencia noticias de peregrinos.. O povo se identifica quem anda por aí em procura de algo, Santiago um ex-libris de caminheiros e até empresas escolhem esses destinos… A todos reconheço capacidades e a todos dou ouvidos para saber o que querem ao peregrinar apenas por aí… Paulo Coelho tornou-se célebre com um estilo muito próprio, eu apenas oiço e dou fraca opinião d partilhar andar por aí… Todos os dias parendi a caminhar a pé, todos os dias melembro os meus primeiros passos nestas lides de autêntico peregrino… Fotos, testemunhos e até pensamentos partilho e vou reconhecendo amigos que me admiram e até odeiam… Eu sempre tenho um espaço para todos pois um coração deve ser aberto e essa é a chave de se tornar eterno e humilde peregrino..









Com que idade se pode fazer o Caminho de Santiago…
Muitos se interrogam se ainda são capazes, outros dizem que aquilo não é para crianças…
Será que podemos chegar a um consenso.. a uma partilha de opiniões com trajectos já feitos e por outros perspectivados.. eu fiz o caminho já adulto e várias vezes, partilhei o trilho com amigos e familia mais jovens e mais velhos… Crianças vi, idosos e bem idosos, adolescentes, homens, mulheres.. em todos reconheci sensibilidade, amor, emoção.. medos e franqueza de o dizer…
A idade do caminho é avançada e muitos há que querem ir por lá, uns vão a pé de bike de cavalo e em jipe sofisticado com pernoita em paradores e SPA de tudo já vi.. A ideia de peregrino se destrinça de turigrino.. Um turigrino tem muito a ideia de fazer um pouco a pé e andando e no final se diz .. eu fui peregrino… Um peregrino parte de um ponto que pode ser a sua porta do seu domicilio, ou um local emblemático escolhido, pressupõe deixar confortos, deixar a família, deixar aspectos profissionais arrumados, também já os vi peregrinos a resolver negócios em trilho… Um peregrino abdica de confortos vários, mesa, cama e roupa lavada… um dia vai e apanha sol, outro chuva, nevoeiro e até beleza de encantar e espantar… A idade tem importância pois obriga a maturidade de sentidos, a presença afectiva, espiritual e atlética.. Quem caminha de peregrino sofre sempre interpéries, mazelas e aprende sempre.. Recomenda-se maturidade a quem quer ser peregrino de Santiago e muito bom senso..
No caminho conheci companheiros de muitas idades e eu próprio também evoluí no tempo da minha existência… Uma vez vi uma família composta por um casal e uma criança de berço, iam de carrinho de bebé.. impressionou-me os cuidados daqueles dois adultos com o seu rebento, iam e andavam, a todos sensibilizou o andar em família e em glória chegaram.. Não os invejei, mas me disponibilizei a ajudar se precisassem…
Um dos trilhos que fiz conheci um idoso suiço, homem bem entrado na idade, caminhava com dois bastões, sóbrio no contacto, mas afável, num dos cascos urbanos de uma vila me obriguei a procurar um sitio para o pobre descansar, pois estava derreado… Em Santiago, o reconheci nas ruas e apresentei minha família como se um amigo de longa data nos conhecesse-mos, isto é a magia de um trilho que prezo…
Não tenho ideia qual a idade com que se pode fazer o caminho, porém resguardo algum cuidado no preparar, no estudar e aprender a reconhecer as capacidades de cada um e do grupo envolvido..
Sugiro, reunam alguns amigos que prezem fazer um trilho único, preparem-se e partam à aventura com confiança e fé, pois o trilho de Santiago tem tanto a dar como a aprender quem o faz, o fez e quer continuar a fazer…