Com que idade se pode fazer o Caminho de Santiago…

Fui questionado por um bom amigo “qual a idade para fazer o Caminho??”

Muitos se interrogam se ainda são capazes, outros dizem que aquilo não é para crianças…

Será que podemos chegar a um consenso.. a uma partilha de opiniões com trajectos já feitos e por outros perspectivados.. eu fiz o caminho já adulto e várias vezes, partilhei o trilho com amigos e familia mais jovens e mais velhos… Crianças vi, idosos e bem idosos, adolescentes, homens, mulheres.. em todos reconheci sensibilidade, amor, emoção.. medos e franqueza de o dizer…

A idade do caminho é avançada e muitos há que querem ir por lá, uns vão a pé de bike de cavalo e em jipe sofisticado com pernoita em paradores e SPA de tudo já vi.. A ideia de peregrino se destrinça de turigrino.. Um turigrino tem muito a ideia de fazer um pouco a pé e andando e no final se diz .. eu fui peregrino… Um peregrino parte de um ponto que pode ser a sua porta do seu domicilio, ou um local emblemático escolhido, pressupõe deixar confortos, deixar a família, deixar aspectos profissionais arrumados, também já os vi peregrinos a resolver negócios em trilho… Um peregrino abdica de confortos vários, mesa, cama e roupa lavada… um dia vai e apanha sol, outro chuva, nevoeiro e até beleza de encantar e espantar… A idade tem importância pois obriga a maturidade de sentidos, a presença afectiva, espiritual e atlética.. Quem caminha de peregrino sofre sempre interpéries, mazelas e aprende sempre.. Recomenda-se maturidade a quem quer ser peregrino de Santiago e muito bom senso..

No caminho conheci companheiros de muitas idades e eu próprio também evoluí no tempo da minha existência… Uma vez vi uma família composta por um casal e uma criança de berço, iam de carrinho de bebé.. impressionou-me os cuidados daqueles dois adultos com o seu rebento, iam e andavam, a todos sensibilizou o andar em família e em glória chegaram.. Não os invejei, mas me disponibilizei a ajudar se precisassem…

Um dos trilhos que fiz conheci um idoso suiço, homem bem entrado na idade, caminhava com dois bastões, sóbrio no contacto, mas afável, num dos cascos urbanos de uma vila me obriguei a procurar um sitio para o pobre descansar, pois estava derreado… Em Santiago, o reconheci nas ruas e apresentei minha família como se um amigo de longa data nos conhecesse-mos, isto é a magia de um trilho que prezo…

Não tenho ideia qual a idade com que se pode fazer o caminho, porém resguardo algum cuidado no preparar, no estudar e aprender a reconhecer as capacidades de cada um e do grupo envolvido..

Sugiro, reunam alguns amigos que prezem fazer um trilho único, preparem-se e partam à aventura com confiança e fé, pois o trilho de Santiago tem tanto a dar como a aprender quem o faz, o fez e quer continuar a fazer…

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Coração de Peregrino…

 

O meu escrever não é de poeta nem prosador, apenas sou um homem que mal sabe conjugar a semântica das palavras e muito agradeço aos professores do meu velho e saudoso Liceu Nacional Gil Vicente em Lisboa… Sempre fui aluno mais dextro a matemáticas e ciências, mas houve um professor que me cativou a atenção para a poesia, para a prosa de Camões, de Gil Vicente, dos oponentes ao regime fachista, ao poema popular de António Aleixo, Miguel Torga, António Gedeão e outros.. na prosa desde os Lusíadas, aos Autos, e aos textos sublimes de Virgilio Ferreira.. Dos portugas passei aos estrangeiros e aprendi a ler Hemingway, e tantos.. Li Eça, Camilo e Aquilino, Dostoiévski, Tolstoi e muitos mais..

Ao fim de alguns anos aprendi a gostar de ouvir poesia, dramatização e até prosa lida, então reconheci e ensino homem, mulher e criança que ler é hábito ou vicio que tem de ser entendido como gost e amor, pois acima de tudo o coração…. dá voz e alma aos livros que perduram na nossa eternidade..

Foram os livros que me fizeram homem, foram os livros que me instruiram, são os livros onde encontro pausa e descanso, é na leitura que encontro sossego e paz para enfrentar as adversidades da vida… Leio por gosto e amor, nem sempre me agrada o que leio, pois há gente que transmite ódios e desamores também no que escreve… Poesias de escárnio e maldizer tornam-se muito interessantes, pois desabrocham almas e espiritos inqueitos e refeitos de vida.. As cantigas de maldizer são antigas, mas exasperam alma de quem as lê, farpas, esteiros e riachos, com emigrantes em caminho, juntam-se guerras, viagens e sonhos…

Um dia, foi um livro que me instruiu a peregrinar “Diário de um Mago” de Paulo Coelho, mas a a velha “Peregrinação” de Fernão Mendes P(M)into e outros tantos caminhos, iniciei a ler e a aprender a reconhecer peregrinos… Hoje sei o que une homens e mulheres em peregrinação, é apenas o trilho que dizemos santo ou mágico, porém reconheço é a esperança, é o amor, é efectivamente o coração da jorna da nossa e das outras vidas..

Caminhei e vi mato, vi monte, vi tanto e tão pouco, reconheci gente a sofrer e em procura de sossego das suas almas e corpos, em Santiago me tornei iniciado e em Fátima amadureci o que é ser homem em caminho… Identifiquei fundamentalistas, rezam e sacrificam o corpo e muito perdem em peregrinação, mas também vi gente bem simples a aprender a andar, cocheando, mancos e magoados iam e continuavam, com lágrimas vi o qunto sofriam.. Revoltei-me, até gritei e disse assim não… Deus ou outro não deseja o mártir o sacrificio em vão… Porém, depressa vi que essa mesma gente necessitava apenas afectos, estavam a sofrer tanto que até se magoavam para aliviar a dôr que sentiam.. Hoje dou atenção a quem peregrina, dou mimo e louvo as suas capacidades, acredito e estimulo a autoestima de cada um…

Como peregrino tento exercitar e preparar, corpo, alma e espirito, um exercicio de pesquisa, de leitura, de meditação e até de oração..   Numa peregrinação em geral são muitas horas de caminhar, antes durante e depois, viagem aos confins do nosso amago, ver o que somos, o que fomos e o que queremos ser… Viagem nem sempre fácil, mas estimulante num piso árduo e áspero da nossa própria vida..

Hoje caminho, amanhã peregrino, e assim me torno um sonhador romântico de coração aberto, ouvindo quem sofre e quem festeja.. Caminhei acompanhado e só, mas sempre levei por perto algo mais do que meramente a minha sombra.. Garanto que nem sempre é fácil peregrinar, mas aprendo sempre e reconheço até quem sarcásticamente me assola o juizo, a esses não dou guerra, pois sei “quem desdenha quer comprar..” e são esses eventuais “provocadores” que em certos momentos se revelam uns bons amigos..

Estamos no mês do maior surto de libertação de peregrinos, Maio, mês de Maria, talvez saudades de andar a pé, até a comunicação social providencia noticias de peregrinos.. O povo se identifica quem anda por aí em procura de algo, Santiago um ex-libris de caminheiros e até empresas escolhem esses destinos… A todos reconheço capacidades e a todos dou ouvidos para saber o que querem ao peregrinar apenas por aí… Paulo Coelho tornou-se célebre com um estilo muito próprio, eu apenas oiço e dou fraca opinião d partilhar andar por aí… Todos os dias parendi a caminhar a pé, todos os dias melembro os meus primeiros passos nestas lides de autêntico peregrino… Fotos, testemunhos e até pensamentos partilho e vou reconhecendo amigos que me admiram e até odeiam… Eu sempre tenho um espaço para todos pois um coração deve ser aberto e essa é a chave de se tornar eterno e humilde peregrino..

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Quanto nos toca o campo numa caminhada de fim de tarde…

Caminheiro que sou, diariamente saio ao final da tardinha, perspectivando mundos, sensações, imagens, sons, enfim emoções…

Têm-se tornado um hábito chegar a casa do trabalho, algo estafado pois até venho a pé do meu local de oficio… Despir a farpela domingueira do vulgo trabalhador e usufruir do hábito, ou fato de vulgo caminheiro… Calças de caminhada, T-shirt, um boné e vulgus ténis.. Uma garrafa de água, óculos de sol e por vezes máquina fotografica.. Autêntico soldado da paz, tornou-se um hábito, vizinhos e amigos verem saír o tal “doutor peregrino” para o seu trilho, seu caminho, por veredas, campos e trilhos..

Nesta marcha que é a minha e a vossa, identifico plantas, flores, pedras e talvez animais… Pássaros vários já me saudam com o seu chilrear, e as suas pênas que não são as minhas, pois as deles são coloridas e as minhas escuras… Melros dizem algo que não traduzo, mas vos garanto os cumprimento, verdilhões claman a tenção das fêmeas, e cartaxos com o seu cantar tipo cricar me alertam que apenas estão por ali….

Flores amarelas, brancas, roxas e multicoloridas me deixam calmo e afável, me repousam a mente e a alma, caminho e continuo reconhecendo a graça do andar a pé por aqui e por ali… Cativo a atenção de quem passa pois nem depressa vou nem devagar apenas vou… sem pressa, sem vontade de acabar bruscamente o passeio vespertino e engradecedor do dia à dia de peregrino..

Dizem que me preparo para o Caminho de Santiago, mas desconfio que apenas cultivo a alma, a mente e o corpo da fé do acreditar… Sim, pois eu acredito e até rezo quando caminho, reclamo as mágoas passadas minhas e não só.. Tantos e tantos sofrem sem amparo e confiança dos companheiros e amigos desta terra que é a minha e a vossa..

Após este desabafos de mero companheiro vos gostaria realçar alguns segredos do passear, caminhar e andar… Nas tardes em que exponho e partilho tenho sido tocado pelas graças de um simples campo meio urbano ou rural nos arrabaldes de uma cidade em que coisas simples e vigorosas despertam…

Clamo e apelo ao vosso acreditar em querer sentir e até amar, os raios de Sol de fim de tarde que não molestam e apenas nos deixam extasiados e dizendo “que bom”…, a brisa do meio  da tarde ou vento que não sopra em geral forte mas vigoroso e nos faz até arrepiar.. Essa brisa dizem ser uma inqueitude dos entes partidos, mas é apenas vento que sonoriza o canavial que nos passa por perto…

Outro sentido vos lembro e impossivel vos transmitr in loco.. são os aromas, os cheiros da Primavera, mais de mil, das flores, da terra das ervas, das árvores, e até de nossos  próprios corpos… Cheiros mil, sensações recordadas, desde a alfazema, as rosas, as árvores de fruto, as recordações das malas antigas, das camas em que os lençois das nossas avós nos deixavam de menino extasiados…

Agora que sou adulto, fui também criança e velho gostava de ser para amar este e mais e mais momentos do eterno viver meu e dos outros.. São as palavras que vos escrevo, memórias da minha alma que flui como a brisa suave daquela tarde em caminho todos os dias…

Cheirem, vejam, curtam e por favor vivam e amem tudo e todos, pois é da minha e da vossa vida que vos falo como amigo e peregrino…

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Primavera eu te saúdo…

Hoje se inicia uma nova Primavera…

Ninguém pode ficar sem tecer elogios à Natureza hoje, princesa que se enfeita, criança que assume a sua adolescência pubere, de mulher, flores desabrocham nos campos, o mar da solidão dos campos se enfeita de mil cores… Sol brilha no espaço, aquece as nossas frontes e gentes procuram as farpelas de um novo ciclo… Primavera é e será sempre um renascer, um ressurgir do aparentemente morto, as árvores realçam rebentos mil nos seus troncos, no chão amarelos, vermelhos e lilazes.. Mil aromas, de flores, quiçá espiritos, almas apagadas no passado Inverno… Após um tempo sombrio e triste de chuva e frio veio o Sol, astro mudo que na noite substituido pela sua amada Lua, também nos diz..  É Primavera amigo..

Prepara-te, lava a cara e sente o cheiro do ano novo do despertar das sementes, dos rios, dos peixes, dos pássaros e outros animais que giram como que loucos em sinfonias de amor.. Primavera é amor do Mundo pelo ser, pelo estar e viver… Anuncia-se a Páscoa, mas a vida é um facto, renasce em velhos, menos novos e crianças..

Ao amante lhe digo oferece uma flor à tua amada, aos pais lhes transmito realçem a Primavera com um passeio na companhia dos vossos amados filhos pelo campo e mostrem o ouro dos malmequeres palha doirados em vias de anunciar a sua vinda.. As campainhas, as azedas dão ao verde dos trevos cores imensas de um pintor natural quiçá Deus que anuncia a vinda da Virgem Maria, mãe natural e para os crentes de Deus menino que se fez homem..

Registem nas fotos hoje a minha e a vossa Primavera, hoje é dia de festejar, de rir e talvez gritar.. Viva a Primavera.. primeiro dia do resto da tua vida.. Canta e Cantarei, canções de Abril, memórias de meninas de olhos tristes que devem sorrir com um beijo de afecto… Lembrem hoje, devemos felicitar as mulheres, as meninas, brindar até e, perdoar talvez as zangas já esquecidas por mim e por todos que amam..

Em casa tenho duas mulheres e a elas hoje homenageio e brindo com um cálice de um Vinho do Porto Velho e, relembro, sou eu que vos felicito e saudo, pois são vocês as princesas da minha vida e hoje é um dia festivo… À minha esposa devo os filhos maravilhosos que tenho e a minha filha o prazer de ainda reconhecer na sua face imagens de menina minha única e amada filha..

Primavera é amor, é poesia, é cantar, é rir, é felicitar, é agradecer e até orar num recanto mais nobre da nossa fé..

Tenho pêna que tantos e tão bons nem se lembrem das coisas simples da vida como a Primavera, sinais talvez que já esqueceram que eram menin(o) as, desabrocharam, mas nem viram que mesmo o idoso fica feliz se lhe damos uma simples flor silvestre colhida no momento.. Registem na vossa memória que a Primavera deve anunciar um acreditar que é possivel Amar.. Eu amo, a vida, as gentes, as plantas e animais e até o Céu, seja dia ou noite.. da graça de Deus… Viva a Primavera

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A Cidade onde nasci..

Nasci numa cidade, capital de um reino que me habituei a chamar Portugal de aquém e além Mar… Metrópole com origens Fenícias, virada para o Mar e para o rio Tejo, onde se torna dificil identificar as tais sete colinas muito proclamadas como ex-libris..

Lisboa  é a cidade onde nasci, vim do ventre de minha mãe, não pretendi roubar nada, nem fazer mal a ninguém,apenas vim por parto normal em casa dos meus pais, pesado numa balança de cozinha comum, por uma senhora que acabou por fazer o fato de noiva de minha mulher… Fui baptizado na Igreja do bairro pelo sacerdote que me casou e baptizou o meu 1º filho..

Adoro a cidade onde nasci, pela sua grandeza, pelo seu Sol, pelas suas ruas, pelos seus monumentos, enfim pelas suas gentes que se dizem “alfacinhas”..

Diz o fado que Lisboa tem cheiros de flores e de Mar e efectivamente são duas das coisas que mais gosto..  Das flores destaco as rosas e do eterno mar, o início e fim da humanidade corresponde também ao espírito de aventura e de viagem que caracteriza o povo português..

Nas origens de Lisboa encontram-se traços do Mundo, ibéricos, romanos, celtas, africanos e mouros… Sangue de todo o mundo corre concerteza nas minhas veias e representa também o amor que tenho pelas gentes, pelas pessoas que reconheço como irmãos..

A Lisboa da minha infância não é a Lisboa de hoje, cresceu, multicoloriu-se de povos, etnias, mas manteve sempre o gosto pelos rio, pela foz larga que mais parece um oceano mesmo antes de enfrentar a barra…

Mas. Lisboa também tem mágoas, barcos que partiram e lembro assistir ao primeiro navio com militares para a guerra em África numa coisa que chamavam “colónias”.. Assisti a sofrimentos de mulheres, mães, pais e filhos a ver seus homens partir e sem saber se iam voltar e como iam voltar…

Anos mais tarde recordei essas gentes na poesia “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal…” mensagem permanente e eterna na memória de um povo que se habituou a sorrir perante a desgraça e que se chama lusitano…

Como gosto de Lisboa, dos pasteis de Belém, da ginjinha do Rossio, do bife da Portugália, do Castelo de S.Jorge, e da Sé… Claro que do convento do Carmo, do Chiado, do passear pelo Nicola e imaginar o Bocage a declamar sonetos, aos velhotes que se mantêm em  presentismo contemplativo da praça D Pedro IV (um pormenor ser uma estátua de um imperador mexicano,  rejeitado após a sua elaboração e improvisado como D Pedro), vulgar Rossio..

E o animatografo escondido numa das ruas junto do Rossio, claro não posso esquecer a Praça da Figueira com uma estátua disforme e pouco clara.. Um café onde se come um bolinho e se bebe café, bica que caracteriza o humor português… A pastelaria Suiça com a sua torradinha e o chá das cinco e que se tem vindo a descaracterizar..

Em Lisboa entrei na escola primária e fiz o exame da 4ª classe, com o professor no final a tocar um tambor e a proclamar a “a Bem da Nação.. e de Salazar..”  patrono do ideal que não o meu…

Seguiu-se o Liceu Nacional de Gil Vicente, na rua da Verónica à Graça, próximo do Castelo de S. Jorge que aprendi a reconhecer com imensos recantos que ligam a mouraria depósito de antigos mouros do tempo de D. Afonso Henriques.. E a Feira da Ladra, com as tendinhas e o homem da banha da cobra, verdadeiro mercado medieval e romântico.. Assisti ao apregoar da camisa, da calça barata ou mesmo do par de meias.. Comprei lá a primeira mochila, um saco alpino e o primeiro cantil… Assisti às obras de Santa Engrácia, e à abertura do panteão, subindo vezes sem conta ao zimbória onde se avista a imensidão do Tejo e de Lisboa… Também presenciei a transladação dos restos de D. Pedro, imperador do Brasil saídos da Igreja de S. Vicente de Fora e pomposamente transferidos para outro país que me diziam ser irmão… Brasil..

Na Graça, conheci as igrejas e capelas, aprofundei os sacramentos da comunhão e crisma nesses monumentos que aprendi a respeitar e preservar… a arte sacra..

Na Graça um miradouro vê-se Lisboa urbana, casario pouco regular, com gentes que gritam, que choram e cantam fado e não só. marchas populares.. Nas festas do Santos destaque para Santo António de Lisboa, cuja Igreja aprendi a visitar e o seu museu junto da magestosa Sé.. Na Sé identifiquei os maleficios do terramoto de 1755 que desviou algo nas colunas..

A Baixa, onde a minha mãe comprava os bons casacos de inverno e onde se passeava no elevador de Santa Justa… Com meu saudoso Tio ia ao circo no Coliseu e ao Cinema, Eden, Tivoli, S. Jorge e não esquecer o Monumental…  Em Lisboa aprendi a gostar de cinema, assisti a filmes inesqueciveis, peliculas de aventura e de imaginação que me encantam ainda…

Lisboa é será sempre a cidade do mundo, a mais bela, a da Ponte sobre o Tejo que inicialmente se chamou Salazar e depois mudou de nome para 25 de Abril.. O Cristo Rei da outra banda que protege os crentes na sua fé de contratempos, mas não evita as portagens que começaram com o preço de uma nota verdinha de 20 escudos com a imagem do Santo patrono de Lisboa .. Santo António..

Em Lisboa fui de cacilheiro com os amigos e até namorar, passeio que sempre recomendo a quem vem à cidade que chamo minha… Muito havia e há para dizer, mas a conversa sobre Lisboa é um mundo de prazeres de histórias, onde se fez a monarquia, a republica e até a revolução que me me apresentou um mundo novo de aparentes esperanças que estimulo e recomendo a todos não esqueçam Lisboa, velha cidade com traços antigos e modernos, capital ainda, porém destaque é a minha cidade natal… Lisboa…

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Caminho Português de Santiago

Caminho Português de Santiago

Os itinerários de acesso a Santiago são muitos, transparecendo que as vias de comunicação medievais assentavam na necessidade de pequenas deslocações.

O desenho de um verdadeiro itinerário foi surgindo com destaque ou apoio de locais de paragem e descanso, casas de pasto, albergarias e hospitais. Em todos os trajectos são reconhecidos conventos que davam a tão desejada ajuda espiritual, física e psicológica.

Carlos Magno estimulou muito a peregrinação ao sepulcro do Apóstolo Tiago e deu origem ao caminho francês que obriga a muitos dias de marcha desde a longínqua França até ao Templo no norte da Galiza.

Em Portugal o culto de Santiago encontra-se difundido por todo território e há invocações ao Apóstolo em muitos locais, assumindo fundamentalmente duas imagens ou ícones de representação, ora como peregrino ora como guerreiro.

Santiago peregrino é afigurado como um pobre, sobriamente vestido, identificado com um chapéu de aba larga, com um cajado ou bastão, e com sinaléticas inconfundíveis de peregrino de Santiago, a vieira e a cabaça.

Santiago guerreiro é representado como um cavaleiro, aparentando um porte majestoso e senhorial, mostrando também a sinalética vieira e denominado “Mata-mouros”.

Em Portugal, a peregrinação a Santiago nunca deu origem a um caminho unificado semelhante ao caminho francês, porém a via Lisboa-Valença com passagem por Santarém, Tomar, Coimbra, Porto, Barcelos ou Braga e Ponte Lima parece reunir um consenso de uma via possível e ancestral.

O Caminho Português pode ser reconhecido como uma rota de peregrinação a Santiago, tendo sido usada por italianos, portugueses e árabes, identificando-se personagens ilustres que optaram por esta via como conde D. Henrique (1097), Rei Sancho II (1244), conde D. Pedro (1336), rei D. Manuel I (1502), Rainha Santa Isabel (1325), Giovanni Batista Confalonieri (1594) que acompanhou desde Lisboa o representante papal, Léon de Rosmithal (1466), Nicolau Popplau (1484), Nicola Albani (1745).

Em 1138 encontramos uma das mais antigas referências ao Caminho Português na obra do geógrafo árabe Idrisi que descreve os caminhos de Coimbra para Compostela, por mar e por terra.

Como peregrino, posso testemunhar que somos confrontados com múltiplos sinais da peregrinação a Santiago inerentes ao culto, onde a “vieira ou concha de peregrino”, símbolo mariano, assinala a direcção do caminho e identifica o próprio peregrino. Em todos os trajectos a figura de Maria, mãe de Jesus, e Mãe de todos nós, aparece nos cruzeiros, nas ermidas, nos conventos e nos santuários das cidades.

No Caminho Português encontra-se uma das igrejas mais emblemáticas que testemunham o culto mariano, em Pontevedra, onde se identifica uma dos pouco templos católicos circulares, em forma de concha e, não em forma de cruz latina como habitual, corresponde à Igreja da Virgem Peregrina.

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As Vénus da Pré-História ( Parte I)

O termo “Venus” sempre foi interpretada como uma imagem mitológica, identificando algo feminino e belo num contexto de sociedade moderna, algo de imaginável de grandioso de estilizado na beleza e da mulher… Venus é o nome do segundo planeta do sistema solar, identificado desde os tempos antigos como uma das “estrelas” mais brilhantes do céu, a mais brilhante depois da Lua, observada sempre no início (estrela da manhã, Estrela Alba) e fim do dia (Vésper),  conhecida como a estrela do pastor, muito parecido com o planeta Terra.

O planeta Vénus apresenta-se sempre no céu como objecto brilhante e cativante desde a pré-historia, os Babilónios denominaram-na na sua escrita cuneiforme de planeta de Ishtar, a personificação da feminilidade e deusa do amor. Dos Gregos, aos Romanos, dos Egipcios aos Persas, dos Maias aos Chineses, aos  Aborígines australianas, a todos sem excepção impressionou, a todos disponibilizou para a relacionar com a relação entre o homem e a mulher… Na India, no Japão, na Coreia, foi a estrela metal relacionada com o prazer, reprodução, riqueza…

O símbolo astronómico de Vénus é reconhecido universalmente em biologia para o sexo feminino: um círculo com uma pequena cruz em baixo.  Assim Vénus é efectivamente uma marca ou símbolo do feminino.

A mitologia valoriza a Vénus como uma imagem de uma Deusa, como uma Virgem que veio do mar, como uma Estrela luminosa da manhã, Deusa radiante da beleza feminina, amante do prazer virginal da sensualidade, dotada de uma beleza, de uma sensualidade e sexualidade oculta, eternamente mulher.

Afrodite,  uma das divindades gregas do Olimpo, identificada pelos romanos como Venus, deusa da beleza e do amor, não só no aspecto sexual ou mesmo obsceno, corresponde a afeição social… O mito do nascimento desta divindade cantado nas odes de Homero, conta que surgiu dentro de uma concha de madrepérola, gerada pela espuma do mar (Aphros, em grego)seria a filha do Céu e da Terra.. ou do filha do Mar, fecundada sem pecado original, formando-a por Saturno da espuma das águas.. Outros criam a imagem de concepção entre deuses, Jupiter e da ninfa Dione, sua concubina.

As historias mitologicas são ricas em guerras, subidas aos céus e ao Olimpo, Vénus presidia festas de prazer e divertimento, representada geralmente com Cupido, seu filho, num coche puxado por pombos ou por cisnes. Aspectos de lascivia, obscenidade e sexualidade foram apresentadas na perspectiva do imaginário e as doenças venéreas são preconizadas pela libertinagem e múltiplos parceiros sexuais da Beleza brilhante e ofuscante da Vénus.

A deusa mitológica Vénus possui muitas formas de representação artística, desde a clássica (greco-romana), pelas visões renancestistas,e modernas, compreende imagens anatómicas divinais e até na literatura.  Camões nos Lusíadas, apresenta-a como aliada dos heróis portugueses e na estátua, “Vénus de Milo“, de cerca de dois metros de altura, foi esculpida em mármore da ilha grega de Paros. O nome do artista e a data da escultura continua controverso,as autoridades do Louvre afirmaram reconhecer uma obra clássica (séculos V ou IV a.C.), talvez executada por um escultor, Alexandros de Antíoquia, de Meandro. As mesmas autoridades do museu acabaram por concordar que é uma obra helenística  e continua exibida como de artista anônimo.

Na pintura o “Nascimento de Venus” pintura de Sandro Botticelli  realizado por volta de 1483, representa a deusa emergindo do mar como mulher adulta, conforme descrito na mitologia romana.  O quadro apresenta a deusa  emergindo das águas numa concha (simbolo de uma concepção pura), sendo empurrada para a margem pelos Ventos D’oeste, símbolos das paixões espirituais, e recebendo, de uma Hora (as Horas eram as deusas das estações), uma manto bordado de flores. A deusa nua não simbolizaria a paixão terrena, carnal, mas sim a paixão espiritual.

 

No final do século XIX começaram a ser identificadas em grutas e depósitos arqueológicos, figuras femininas do período paleolítico superior, numerosos artefactos no continente Euroasiático, extendendo-se de França à Sibéria e algumas foram datadas de 25000 anos a.c.. Estas figuras femininas eram pequenas esculturas em pedra, osso, marfim e outros materiais, aparentes mulheres nuas com as características sexuais bem pronunciadas e com aspectos dos membros e face pouco pormenorizados.  Foram apelidadas de figuras de Vénus e correspondem a representações humanas do período da ultima glaciação.

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“Queimada”

Queimada é uma bebida tradicional e que na galiza encontra um espirito muito próprio… Há de ter cautelas pois é uma bebida alcoolica, com algum misticismo, divinal e celestial em certos momentos.. existe sempre um mestre preparador da substância “Queimada” com uma reza própria e um ambiente de média luz e velas numa noite de lua cheia e com peregrinos que acompanham com cantigas e modas num espirito de partilha e de magia…

Uma das rezas ou conxuro a divulgar:

“Mouchos, coruxas, sapos e bruxas, demos trasgos e diaños, espritos das nevoadas veigas, corvos, píntigas e meigas, feitizos das manciñeiras, podres cañotas furadas, fogar dos vermes e alimañas, lume das santas compañas. Mal de ollo,negros meigallos, cheiro dos mortos, tronos e raios, oubeo don can, pregón da morte, fuciño do sátiro e pe de coello, pecadora língua de mala muller, casada cun home vello. Averno de Satán e Belcebú, lume dos cadavres ardentes, corpos mutilados dos indecentes, peidos dos infernales cus. muxido da mar embravescida, barriga inútil de muller solteira, falar dos gatos que andan a xaneira, guedella porca da cabra mal parida. Con este fol, levantarei as chamas deste lume, que asemella o do inferno e fuxiran as bruxas a cabalo das suas escobas, índose a bañar na praia das areas gordas. ¡ Oíde, oíde, os ruxidos que dan as que non poden deixar de queimarse no aguardente, quedando así purificadas. E cando este brebaxe baixe po las nosas gorxas, quedaremos libres dos males da nosa ialma e de todo embruxamento. Forzas do ar, terra, mar e lume, a vos fago esta chamada: Si e verdade que tendes mais poder que a humana xente, eiquí e agora, facede que os espritos dos amigos que estén fora, participen con nos desta QUEIMADA. ”

Atribuiem-se origens celtas,facto que se revela impossivel pois a destilação da aguardente é posterior, ritual medieval, ritual pós repasto condigno.. não deixa de ser um momento interessante numa eventual peregrinação…

O conjuro ou “esconxuro” tradicional da queimada foi inventado em Vigo em 1967 por Mariano Marcos Abalo para uma festa de jogos florais .

Todo o ritual de preparação está dirigido a afastar aos maus espíritos e os maus olhados que, segundo a tradição, espreitam aos homens e mulheres para tentar lhes amaldiçoar já seja por , por vingança, por algo que têm realizado anteriormente, ou por qualquer outro motivo. (ref http://pt.wikilingue.com/es/Queimada)

Seus ingredientes principais são aguardente, açucar e limão ou laranja num recepiente  de barro ou uma cabaça, mexe-se e o alcool vai queimando e dando côr à noite..

Alguns cuidados com o fogo, com o abuso da substância, dormir descansado e sonhar com os trilhos sagrados do Caminho de Santiago..

Ultreia et Suseia

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Poema do Caminho..

Caminho

I

Tenho sonhos cruéis; n’alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente…
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!…
Porque a dor, esta falta d_harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d’agora,
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

II

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
d Bom dia, companheiro, te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho
É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei…
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.
É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!… Foi no entanto
Que choramos a dor de cada um…
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

III

Fez-nos bem, muito bem, esta demora:
Enrijou a coragem fatigada…
Eis os nossos bordões da caminhada,
Vai já rompendo o sol: vamos embora.
Este vinho, mais virgem do que a aurora,
Tão virgem não o temos na jornada…
Enchamos as cabaças: pela estrada,
Daqui inda este néctar avigora!…
Cada um por seu lado!… Eu vou sozinho,
Eu quero arrostar só todo o caminho,
Eu posso resistir à grande calma!…
Deixai-me chorar mais e beber mais,
Perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar d encher a alma.

Camilo Pessanha, in ‘Clepsidra’

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Conto do Sol e da Lua..

Houve um escritor português, deixando à vossa pesquisa a sua identificação, que me contou uma história mágica…

Lua foi prometida em casamento por seu pai ao Sol, grandioso o Sol prometia fazer feliz a princesa da noite, iluminá-la, fazê-la brilhar, acalentar o amor e torná-la feliz…

Porém, coisas do destino, a Lua tinha um apaixonado, não tão bonito e forte como o Sol, mas muito sentimental, de temperamento lábil, inundava tudo e todos com a sua grandiosidade, cores imensas reunia, vida reunia no seu intimo, frio e gélido, mas também tépido e quente onde apetecia estar em contacto.. Sim efectivamente era o Mar imenso com alegrias e tristezas, mas simplesmente mar…

O pai da Lua não prescindiu da sua promessa de casamento, o que levou a Lua a fugir… e esconder-se na noite e só aparecer completamente em certas noites, compartilhando o seu eterno amor pelo Mar..

O Sol, esse procurava todos os dias com o seu brilho, a sua amada a Lua, por vezes desespera e esconde-se nas nuvens, entrevisulizando lá ao longe e por breves instantes a sua querida nunca a conseguindo alcançar.. No Verão até transparece o esforço exaltado da sua procura e no Inverno, mostra-se algo triste.. No Verão procura de este a oeste a Lua, bem de alto, mas no Inverno desce e no mesmo ritmo de este a oeste lá vai pesquisando em todos os pontos, nuns dias com mais horas noutros com menos..

O Mar,  esse não ficou contente também, pois a Lua tem de fugir sempre do Sol, e então mal humorado ou de temperamento lábil, exalta-se quando vê por perto a sua amada… Nas mares vivas, todos reconhecem que efectivamente o humor do Mar, dia e noite está bravo… Mas, os homens cá estamos e equilibramos as coisas, dando valor e ânimo ao Sol, à Lua e ao Mar.. Numa mulher, simbolo da fertilidade, até a gravidez se mede em Luas, e os homens esses ficam apaixonados com algum brilho da Lua, mas é no seu esconder nas noite de Lua Nova que se perspectivam as estrelas ..

A Lua tem aliados que a judam a saber do Sol, quando este vem ou se vai ausentar.. São as estrelas da noite e Vénus nas primeiras horas do dia ou da noite avisa a Lua que pode saír…

Este conto baseia-se numa história linda de um escritor português que convido todos a saber…

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